quinta-feira, 3 de março de 2011

Cena I, único ato.
A porta se abre, e sob passos curtos e rápidos ela procura um lugar afastado e silencioso, é apenas a tendência a procurar distância e viciar em solidão...

"Entre um copo e outro de desolação apenas observo, hoje é quinta feira, terceiro dia chuvoso da semana,  agora são 9:00 horas da manhã e eu estou sentada nessa lanchonete, sozinha.
O dia começou tão pesado, que até o azul se extinguiu dando lugar a esse clima acinzentado, é o que ando vendo nos últimos tempos.
As dúvidas giram entre os momentos de maior sanidade, e até o cigarro ficou desinteresante, eu o toco com os dedos, mas os lábios o renegam, eu só consigo pensar no fato de que por muitas vezes nada nunca me preenchia, e que, pela primeira vez em tempos, eu sinto o medo de perder, esse receio das coisas, e eu não quero mais ficar assim, incompleta, então eu me recordo daqueles pedaços que deixei cair por aí para que você encontrace...
Você, meu querido, me canta tristes canções com impressões de um talvez, e eu não sei como fugir, não posso continuar assim, ou eu fico aqui desfragmentada, ou parto por completo... é rapaz, não estamos mais nos tempos do "se", esse buraco no meu peito não pode ser preenchido por um meio-isso ou outro meio-aquilo, ou eu lhe tenho com os meus desejos vicerais e tempestades de alma, ou você, por favor, me esclareça se quer que eu ainda caia tão solta como essa fria chuva em Maio. Eu preciso saber se esse teu talvez-sentimento chega a mim ou se arrebenta nas beiradas, eu só quero entender se, afinal, queres o meu amargo gosto de café forte com pó mal diluído ou se preferes voltar aos teus antigos açucares, tão doces quanto as cores alegres que eu não possuo...
Enquanto sonho e desespero com as tuas mudanças eu percebo que uma angústia, antes desconhecida, está se alojando do lado de dentro dos meus muros e se comprimindo contra minha pele, como se essa fosse apenas uma fina camada de proteção, prestes a se romper, me arrastando de volta para onde eu havia tentado fugir, me deixando assim, desprotegida em meio as minhas incertezas"
....

Após alguns instantes, larga o cigarro apagado, e, sozinha, se levanta e parte, procurando no sopro dos ventos quem não quis deixar para trás.

4 comentários:

  1. Poderia ser a cena de um filme, a protagonista em seu refugio, antes de largar um emprego mediocre e talvez depois de matar alguém hehe, boa cena, ta escrevinhando muito bem!

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  2. nossa que perfeito, esta parecendo uma escritora profissional, amei

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  3. Adorei o texto, só não gostei do fato de não escrever já há um bom tempo =)

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  4. Engraçado é que certamente te defini em uma fase da sua vida, e hoje te defini em apenas algumas partes, é que desde lá te vejo menos confusa, porém mais intensa, não é como se a confusão houvesse esvaído de você, pois ela nos torna mais interessantemente perturbados hahahaha

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